
Francine Machado de Mendonça
PEDAGOGIA GRIÔ

O interesse na cultura popular, valorizada na Pedagogia Griô, surgiu devido às narrações que faz há 20 anos: vivenciou, divulgou, visitou e/ou participou da Trilha Griô (visita, vivências e trocas artístico-pedagógicas),
Encontro dos Povos do Grande Sertão Veredas (Chapada Gaúcha/ MG - 2016), Teia Multiétnica e quilombo Kalunga (Chapada dos Veadeiros/ GO - 2018), quilombo Quingoma (Itinga/ BA - 2017), escolas bilíngues indígenas argentinas (projeto Oralidad Escrita/ Formosa - 2016) e quilombo Remanso (Chapada Diamantina/ BA - 2019). Talvez pela atuação anterior como jornalista, produziu vídeos e fotos e os partilhou com seus estudantes na região do ABC paulista, acrescida das histórias que ouve e inventa.


Participação da live formativa da Secretaria de Educação/ Departamento de Jovens e Adultos de Santo André, sobre “Arte, Multiculturalidade e decolonialização cultural”, para professores da rede andreense, que contou com convidado externo tratando da cultura indígena.
Nela, Francine trata da Pedagogia Griô e debate os temas desta transmissão com
os demais participantes.
Na finalização da formação em Pedagogia Griô uma das produções com a qual os aprendizes grios se formam é a aula espetáculo. A artista-educadora adiantou sua produção para o seminário em metodologias artísticas de pesquisa, no mestrado profissional em artes da cena, da Escola Superior de Artes Célia Helena. Aqui, amarrou sua ancestralidade aos estudos e trabalhos atuais, mas esta prática pedagógica griô pode ser elaborada com diversos temas.
Na Bahia, onde vivem os criadores Lillian Pacheco e Márcio Caires, já fizeram sobre a democracia, sanfona, enegrecer os currículos escolares, entre outros temas. A 1a produzida pela artista-pesquisadora foi uma partilha de processo no formato foto performance, porque os encontros do mestrado estavam seguindo os protocolos sanitários pela plataforma Zoom. Em futuras apresentações, esta criação será atualizada porque é viva, sempre em movimento e alimentada pelas trocas em cena, além das vivências da criadora.
Os episódios do podcast Pegada Griô são entrevistas com diferentes profissionais, que contam como trabalham esta abordagem em diversas atuações: já foram feitos bate papo com professora e artista-pesquisadora. Ouça clicando abaixo:
O aprofundamento desta pesquisa-ação no 1o semestre de 2022 aconteceu nas EMEIEFs Darcy Ribeiro e Vereador Manoel Oliveira, com o Teatro do Oprimido e Pedagogia Griô, já integrados de vez. Foram vivenciadas diferentes técnicas de Boal, além do aquecimento para o Teatro do Oprimido ser mais brincante, com cantigas populares, jogos de percussão corporal e danças brasileiras. Foi terapêutico para aprendiz superando perda e envolveu até filha de estudante.
E eu que venho de décadas de pesquisa e apresentação de narrativas ficcionais, quem diria, já comecei adaptar, ensaiar, gravar e apresentar minhas histórias com a EJA II. Uma transição das histórias de tradição oral e de terceiros para a autoficção. Cheguei a fazer oficina com o grupo de teatro XIX, em São Paulo, no qual a multiartista Janaina Leite também trabalha com material não ficcional. Mesmo assim, me pareceu mais desafiador.
Talvez porque parte das histórias me remetem a estudantes que não tive mais noticias. Ou por ter apresentado esta combinação de narrativas dos aprendizes na formatura de parte deles. Ou porque associo a história de um aluno que não conseguiu terminar de estudar à do meu pai, quem também não finalizou na EJA fabril quando era eletricista no Metrô. Foi quando a professora Sonia Azevedo me estimulou a apostar nestas narrativas que me tocavam. E o professor Marcos Barbosa acreditou que as histórias chegariam em mais pessoas – meu memorial da 1ª qualificação possivelmente não teria o mesmo impacto. Por isso não segui aprimorando minha trajetória neste documento para o fim do mestrado na ESCH.
Com estes professores e meu orientador Daves Otani “tive asas” para que meus processos artístico pedagógicos se transformassem no livro de crônicas do que vivi com as turmas (por enquanto no forno) e nesta narração dramatizada/ musicada das minhas histórias no chão de escola.
Já deu para segurar o choro em ensaio, ouvir uma das diretoras rir e contar com a professora de português improvisando coordenadora que cobra documentação entre as histórias e as cantigas populares – tudo na formatura de uma das turmas na EMEIEF Darcy Ribeiro.
Talvez até a próxima apresentação novas histórias sejam inclusas ou estas se ampliem – para que aos poucos esta narração se transforme na aula espetáculo da Pedagogia Griô, sempre viva e dinâmica.




